Ex-Presidentes

Ottilie Mueller - 1º Presidente da LSLB

Leia esta emocionante história dessa querida irmã que foi a primeira presidente da LSLB.

O depoimento abaixo é sobre uma pessoa muito querida da LSLB e da IELB. Trata-se de uma das fundadoras da Liga de Servas Luteranas do Brasil, dna. Ottilie Mueller. Leia esta emocionante história dessa querida irmã lá dos Estados Unidos.

Se a nossa vida é uma caminhada curta ou longa, só Deus sabe. Ela tem um propósito estabelecido pelo nosso Deus para um fim determinado por ele.
Conseguir viver o bastante para poder olhar pelo retrovisor e constatar as bênçãos que o Senhor fez, através de nós, é um privilégio.

Da. Ottilie Mueller, hoje com 97 anos, é uma dessas pessoas privilegiadas. Nós a entrevistamos em Indiana, Estados Unidos, onde ela nos falou, em português claro, seus sentimentos de amor e saudade pelos amigos e irmãos na fé que deixou no Brasil. Ela foi um instrumento valioso na obra do Senhor.


Sua história

"Minha mãe estava tirando um bolo do forno e por pouco não lhe caiu das mãos." Ottilie acabara de dizer à sua mãe que o noivo, pastor, recebera um chamado para o Brasil. Quase parecia uma tragédia! Nem dormiram direito à noite. Mas o pai consolava sua filha dizendo: "Prefiro que você vá ao Brasil com o homem que ama do que ser infeliz aqui."
O noivo era George: dava aulas, oficiava culto e pregava uma vez ao mês. Ele se formou e foi ordenado pastor em 1934.
Ottilie era bem ativa na União Juvenil (Walther League) onde participava de esportes, cantava no coral da igreja e ministrava na Escola Dominical. Com apenas 20 anos, ela trabalhava numa companhia de seguros e ia juntando suas economias para o casamento que se aproximava. Assim foi: no dia 14 de outubro, se realizou o casamento, e, dez dias após, já estavam a bordo do "SS Brazil" rumo ao Rio de Janeiro. Mais quatro dias, pelo "Itambé", até o destino final em Porto Alegre.
"Naquela época, os missionários não recebiam muita orientação - disse Ottilie - somente a passagem e... "God be with you" (que Deus vos acompanhe). Tenho viva a imagem de meus pais na porta da cozinha abanando... De minha mãe, foi a última visão, pois ela faleceu em 1944. Chegamos ao destino final no feriado de 15 de novembro de 1936 e fomos recebidos, no cais do porto, pelos estudantes do Seminário Concórdia e pelos Professores Schelp e Rehfeldt."


Chegada ao Brasil

O início das atividades do Pastor George se deu, no Seminário Concórdia, como professor, e as aulas eram em alemão. Da. Ottilie só se comunicava em inglês, por isso se dedicou bastante no aprendizado do português e do alemão.
A vida em Porto Alegre foi um ótimo período de adaptação: hábitos, costumes, idiomas, etc. Durou cerca de ano e meio, quando chegou o chamado para Rolante, RS, onde havia onze pontos de pregação. Da. Ottilie era a organista oficial na congregação sede.
As primeiras férias coincidiram - após 11 anos de trabalho - com o centenário da Lutheran Church Missouri Synod, ou seja, 1947. Da. Ottilie viu e participou, quando de suas férias nos Estados Unidos, das mais diferentes atividades de departamentos de senhoras em diversas congregações. Ela ouvira falar da existência da Liga de Servas Nacional nos Estados Unidos (LWML). Com sua vivência e dedicação, estimulou as senhoras da sua Comunidade a muitas atividades. Houve estudo da Palavra, teatro, música e lazer, que envolviam as senhoras, jovens e nem tão jovens, em alemão e em português.


Volta a Porto Alegre

O Pastor Mueller recebeu chamado para a Comunidade São Paulo, de Porto Alegre, em 1949.
Da. Ottilie pensou: será que no Brasil não poderíamos unir nossas forças numa liga nacional, juntando os departamentos de diferentes congregações? Estava marcada uma Conferência Pastoral em Porto Alegre, em julho de 1956. Ela convidou as esposas dos pastores que estariam presentes, e outras lideranças femininas da Grande Porto Alegre, para um chá onde apresentaria a idéia de formar uma Liga Nacional. Assim aconteceu! Conforme registrado no Mensageiro Luterano de fevereiro de 1957, foi fundada a Liga Feminina da Igreja Evangélica Luterana do Brasil em 4 de julho de 1956, na presença de 93 senhoras. A diretoria provisória - que organizaria o primeiro congresso nacional em janeiro de 1957 - ficou constituída pelas senhoras Ottilie Mueller, presidente; Elisabeth Kunstmann, secretária; e Maria Rehfeldt, tesoureira.


A entrevista

Abaixo uma entrevista de Rosemarie Kunstmann Lange com a Da. Ottilie.

Rosemarie Lange (RL) - A senhora, Da. Ottilie, é um referencial para todas as servas no Brasil. Como a senhora se sente aos 97 anos?
Ottilie (O): Eu me sinto muito bem, posso me locomover e fazer coisas ainda. Agradeço a Deus por isso, mas gostaria de poder voltar ao Brasil, porque deixamos aí parte do nosso coração. Infelizmente a distância e a minha idade não permitem. Sei que muitas pessoas queridas, Deus já tirou do mundo...

RL - Como mantém os laços afetivos com o Brasil?
O - Gosto de ler o Mensageiro e a Servas, e oro sempre pela Igreja no Brasil e pela Hora Luterana. Os membros, nas congregações onde estivemos (Rolante, RS, e São Paulo - Porto Alegre, RS), eram muito bons, ativos. Tínhamos sempre o apoio que precisávamos.

RL - Eu tinha seis anos e lembro-me de um episódio que ficou na minha memória: a despedida da sua mãe no leito da morte foi por telefone. A senhora soube administrar esse momento. Como?
O - Foi realmente muito difícil me despedir de minha mãe por telefone, mas marcamos uma hora certa e eu disse a ela o que desejava. Eu era a filha mais velha, e nunca mais a vi, porque era época da guerra e não podíamos viajar. Foram 11 anos sem voltar aos Estados Unidos.

RL - As dificuldades a ajudaram a amadurecer na fé em Jesus?
O - Hoje eu gosto de recordar as alegrias. Olhando para trás, em Rolante, RS, eu olhava as montanhas e lembrava do Salmo 121. Eu passava muitos dias sozinha, o pastor ficava fora, então eu olhava os montes e recitava o salmo. Isso me ajudou a superar tempos difíceis. Jesus estava comigo, como está até hoje.
RL - Como surgiu a ideia da Liga de Senhoras?
O - As senhoras eram muito ativas, mas trabalhavam para dentro da Congregação. Eu lembrava das mais jovens, que não falavam alemão, e da missão. Estávamos no Brasil, e pensei em começar uma "Sociedade" em português. Convidei as senhoras das Comunidades S. Paulo, Cristo e Concórdia, todas de Porto Alegre, para uma reunião. Uma senhora da S. Paulo fez as sacolinhas de pano para recolher as ofertas, para ajudar a missão, estas que são usadas ainda hoje.

RL - Contei para a Da. Ottilie o número de Departamentos, Distritos e Regiões que a LSLB tem hoje. Ela reagiu assim:
O - Isto me emociona e dá grande satisfação ao ver que a pequena plantinha cresceu e se espalhou por todo o Brasil, com milhares de servas trabalhando unidas, servindo ao Senhor com alegria.
Eu nunca pensei que um dia eu teria esta conversa; eu guardo no coração cada pessoa do Brasil e desejo que conheçam e aceitem o Jesus que está mostrado no Corcovado, RJ. Fizemos tudo com a ajuda de Deus e das senhoras. Eu olho para frente e sei "Que o melhor ainda está por vir!"

Conclusão
Você que está lendo este texto está preparado(a) para desfrutar, quando Jesus chamar, "o melhor que ainda está por vir?"
Que Deus conceda, a cada um, a alegria de viver intensamente a sua fé em Jesus. Pois nele e com ele poderemos superar obstáculos, sabendo que "o meu socorro vem do Senhor que fez o céu e a terra" Salmo 121.2.


 

Por Paulo Udo W. Kunstmann (Instituto Histórico da IELB) e Rosemarie Kunstmann Lange,
ambos residem em Porto Alegre, RS, e são irmãos.

 


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